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Investimento do Flamengo aumenta a cobrança, mas não explica tudo
O investimento em reforços do Flamengo foi 23% maior que o do Palmeiras entre 2020 e 2026. Levantamento do Gato Mestre do ge aponta que o Rubro-Negro gastou R$ 1,713 bilhão na contratação de 46 jogadores, enquanto o rival paulista desembolsou R$ 1,396 bilhão por 43 reforços.
A diferença chega a aproximadamente R$ 300 milhões, ou cerca de R$ 317 milhões na soma detalhada por temporada. O dado dá base à cobrança feita por Abel Ferreira, mas não transforma o Flamengo em campeão automático: dinheiro amplia as possibilidades, enquanto planejamento, aplicação dos recursos e desempenho definem o resultado.
Quanto Flamengo e Palmeiras gastaram por temporada
Em 2020, o Flamengo investiu R$ 262,785 milhões em oito reforços, contra R$ 62,231 milhões do Palmeiras em cinco. No ano seguinte, o clube carioca gastou R$ 9,185 milhões por quatro jogadores, enquanto o paulista desembolsou R$ 38,720 milhões também por quatro.
A vantagem do Flamengo voltou em 2022, com R$ 186,811 milhões investidos em dez contratações, contra R$ 139,301 milhões do Palmeiras em oito. Em 2023, foram R$ 203,713 milhões do Mais Querido por quatro reforços, enquanto o rival gastou R$ 51,362 milhões por dois.
Em 2024, o Flamengo investiu R$ 302,372 milhões em oito jogadores, contra R$ 193,400 milhões do Palmeiras pelo mesmo número de reforços. Já em 2025, o clube paulista teve o maior desembolso da série: R$ 698,559 milhões em 12 contratações, enquanto o Rubro-Negro gastou R$ 340,537 milhões por sete.
Em 2026, o Flamengo voltou a superar o Palmeiras, com R$ 407,424 milhões investidos em cinco reforços. O rival gastou R$ 212,160 milhões por quatro jogadores.
Somados, os clubes movimentaram R$ 3,108 bilhões em 89 contratações nas sete temporadas analisadas. O Flamengo respondeu por 55% desse valor e gastou mais em cinco dos sete anos do levantamento.
Abel Ferreira usa os números para dividir a responsabilidade
Após o Flamengo ultrapassar o Palmeiras na liderança do Campeonato Brasileiro, Abel Ferreira afirmou que o poder de investimento coloca uma responsabilidade maior sobre o clube carioca. O técnico também comparou a experiência dos treinadores e jogadores dos dois elencos.
“O Palmeiras pode tentar comprar (atletas) e tenta comprar para equilibrar, mas comparem onde treinou o treinador do Palmeiras e onde treinou, por exemplo, o treinador que está no Flamengo. Onde que jogaram os jogadores que estavam no Palmeiras e onde jogaram os jogadores que estavam no Flamengo. Portanto, há uma equipe sim que tem obrigação de fazer muito mais e nós estamos sempre a competir com ela por tudo aquilo que envolve”, declarou Abel Ferreira.
Os números comprovam uma diferença relevante no investimento acumulado, mas não provam, sozinhos, que o Flamengo tenha obrigação de vencer todas as disputas. A cobrança mais justa é por coerência: transformar capacidade financeira em contratações que resolvam necessidades reais e em desempenho compatível com o tamanho do elenco.
Contratações mais caras mostram o tamanho da disputa
Entre os principais investimentos do Flamengo no período está Lucas Paquetá, contratado do West Ham, da Inglaterra, por cerca de R$ 260 milhões. O meia é apontado como o reforço mais caro da história do futebol brasileiro.
Samuel Lino, contratado por R$ 155 milhões, e Pedro, que chegou por R$ 142 milhões, também aparecem entre as contratações mais caras da história do futebol brasileiro. No Palmeiras, Vitor Roque custou cerca de R$ 167 milhões, enquanto o colombiano Arias representou investimento de R$ 158 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
Para Moises Assayag, especialista em finanças no esporte, o protagonismo de Flamengo e Palmeiras está relacionado às receitas, mas também à profissionalização e às boas práticas de governança adotadas pelas duas gestões. Para o Flamengo, o alerta é claro: gastar mais aumenta a responsabilidade, não substitui planejamento nem garante resultado.
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