Arrascaeta chegou a 100 jogos na Libertadores na vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, na última quarta-feira (19), no Maracanã. O camisa 10 abriu o placar, ajudou o Flamengo a avançar às quartas de final e reforçou seu peso histórico no torneio.
Marca histórica na Libertadores
A marca centenária foi alcançada justamente contra o ex-clube do uruguaio. Aos 34 minutos do primeiro tempo, Arrascaeta marcou dentro da área e abriu o caminho para a classificação rubro-negra nas oitavas de final.
Somando as passagens por Defensor Sporting, Cruzeiro e Flamengo, o meia chegou a 19 gols e três títulos na Libertadores, todos conquistados pelo Mengão. Pelo time uruguaio, foram 12 partidas e dois gols; pelo Cruzeiro, 19 jogos e quatro gols; enquanto no Flamengo são 69 jogos e 13 gols desde 2019.
O gol também representou uma inversão do cenário de 2018. Naquela edição, Arrascaeta defendia o Cruzeiro e marcou na vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, no Maracanã, pelas oitavas de final, ajudando a eliminar o time rubro-negro. Oito anos depois, o camisa 10 aplicou a chamada lei do ex e carimbou a vaga do Fla.
Jardim destaca importância do camisa 10
Mesmo ainda distante da melhor condição física, Arrascaeta recebeu elogios de Leonardo Jardim após a classificação. Em declaração, o treinador definiu o meia como “fantástico” e ressaltou sua qualidade em pequenos espaços e na definição.
“Esse é o jogador que nós pretendemos termos sempre presente, porque ele é um jogador que é importante estar presente, quer de início, quer entrando. É um jogador que consegue, principalmente em pequenos espaços, na definição, ter uma qualidade acima da média”, afirmou Jardim.
O técnico também explicou que Arrascaeta não consegue disputar todos os jogos durante 90 minutos. O jogador ficou quase três meses sem atuar entre abril e julho, após sofrer uma fratura na clavícula e, posteriormente, uma lesão na panturrilha enquanto estava com a seleção do Uruguai.
Controle de carga influencia planejamento
Desde o retorno, o Flamengo mantém um controle rigoroso da carga física do meia para preservá-lo nas partidas decisivas da temporada. A gestão de minutos também influenciou o planejamento da diretoria no mercado, que buscou uma peça com características diferentes para o setor.
Jardim entende que Carrascal e Lucas Paquetá não apresentam exatamente o perfil desejado para a função e, em algumas ocasiões, prefere improvisar Samuel Lino. A diretoria chegou a negociar com o argentino Thiago Almada nesta janela, mas não houve acordo.
Próximo passo do Flamengo
Tricampeão da Libertadores, com títulos em 2019, 2022 e 2025, Arrascaeta celebrou a classificação e defendeu que o Flamengo avance passo a passo. O meia destacou o peso do confronto após a eliminação na Copa do Brasil e afirmou que o time também briga pelo título do Campeonato Brasileiro.
“Nem pensamos em ser campeões, temos que ir passo a passo. Para nós era um jogo muito decisivo, porque nós já estamos fora da Copa do Brasil. Estamos brigando pelo título Brasileiro e era muito importante continuar na Libertadores”, declarou o uruguaio na saída do Maracanã.
O Flamengo agora aguarda o vencedor do confronto entre Tolima e Independiente del Valle para conhecer seu adversário nas quartas de final. Com a classificação, Arrascaeta terá a oportunidade de ampliar seus números na competição.
A classificação é o dado principal, mas o desempenho de Arrascaeta mostra por que o Flamengo precisa tratá-lo com inteligência.
Nosso camisa 10 decidiu um mata-mata, alcançou 100 jogos na Libertadores e continua sendo acima da média em espaços curtos.
Isso é mérito individual e também confirma a importância de tê-lo saudável nos momentos grandes.
Ao mesmo tempo, um gol decisivo não prova que a questão física deixou de existir.
Depois de quase três meses parado, o controle de carga é necessário, não um sinal de falta de confiança.
O problema aparece quando o elenco não oferece uma alternativa com características realmente próximas e a solução passa por improvisos.
Jardim foi claro ao defender Arrascaeta, mas a fala também expõe uma responsabilidade da diretoria.
A negociação por Thiago Almada não avançou, e a necessidade de outro jogador para a função continua.
A torcida pode comemorar a vaga e a marca histórica sem exigir que o uruguaio jogue tudo. O alerta para o Flamengo é transformar essa gestão em planejamento, não em dependência permanente de um jogador decisivo.
SRN.
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