O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estima que o clube pode levar de 15 a 20 anos para viabilizar financeiramente a construção do estádio próprio no terreno do Gasômetro, no Rio de Janeiro. O dirigente não demonstra pressa e afirma que o planejamento precisa preservar a competitividade do time de futebol.
Maracanã é prioridade no planejamento
Bap defende que o Flamengo continue priorizando o Maracanã, onde o clube tem uma concessão vigente por mais 18 anos e meio. Em entrevista ao canal Market Makers, no YouTube, publicada em 6 de agosto e reproduzida pelo ge, o presidente afirmou que o objetivo seria gerar um excedente capaz de financiar a arena sem comprometer o elenco.
Segundo o dirigente, o Flamengo poderia destinar cerca de R$ 250 milhões por ano ao futebol e poupar R$ 150 milhões para o estádio. Ele calculou que, diante de um custo estimado em aproximadamente R$ 3 bilhões, a obra levaria cerca de 20 anos para ser financiada. Com a capitalização dos recursos, esse prazo poderia cair para 14 ou 15 anos.
Custo e prazo de inauguração
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas calculou o custo do estádio em R$ 2,66 bilhões, enquanto a diretoria rubro-negra projeta reduzir o valor para R$ 2,2 bilhões. A atual gestão também acertou com a Prefeitura do Rio de Janeiro o adiamento do prazo de inauguração, de 2029 para 2036.
Bap citou ainda entraves técnicos para a construção, como a transferência das tubulações da Naturgy, empresa de gás que mantém encanamentos no terreno do Gasômetro. De acordo com o presidente, a mudança da estrutura pode levar anos.
Quando o estádio próprio faria sentido
Na avaliação de Bap, o momento adequado para avançar seria quando o Flamengo conseguisse lotar o Maracanã em todos os jogos, com 71 mil torcedores, e ainda tivesse entre cinco mil e 15 mil pessoas sem conseguir ingressos. A arena própria também precisaria oferecer uma margem financeira superior à do Maracanã.
O presidente reconheceu que o clube passou a ser mais eficiente na gestão do Maracanã e disse que isso não significa abandonar definitivamente o projeto. Ele também mencionou a possibilidade de um fundo soberano comprar o estádio e se tornar sócio do Flamengo caso o custo do dinheiro diminua.
Aos 65 anos, Bap resumiu a dimensão do prazo estimado para a obra:
“Talvez meus filhos vejam isso. Eu não sei se eu vou ver”.
No entanto, a gestão anterior, de Rodolfo Landim, mudou esse cenário ao comprar o terreno do Gasômetro à vista e estipular um prazo ousado de cinco anos para a inauguração. Esse movimento legítimo fincou no peito do torcedor o desejo real de ter sua casa própria, alimentado também pela necessidade de dar uma resposta às piadas dos rivais.
Por isso, a declaração de Bap cai como um balde de água fria e gera uma inevitável decepção. Frustra, especialmente, os torcedores mais velhos, que agora lidam com a dura possibilidade de não verem o estádio pronto.
Olhando pelo lado administrativo, contudo, o posicionamento de Bap coloca o projeto no lugar que ele tecnicamente deveria ocupar: um plano estratégico de longo prazo, e não uma promessa imediata.
A prioridade ao Maracanã é compreensível, pois o Flamengo já domina a operação da arena e precisa proteger a saúde financeira do futebol. Comprometer centenas de milhões de reais por ano sem garantias sólidas poderia custar caro dentro de campo.
Diante disso, o caminho mais sensato é justamente alinhar o cronograma da nova arena ao período de concessão do Maracanã, que ainda dura 18 anos e meio. Utilizar esse tempo contratual a favor do clube permite que o Flamengo junte o dinheiro necessário sem sufocar os investimentos no futebol profissional.
Para o Mengão, o ponto central é transformar esse sonho estendido em um plano rigorosamente verificável e transparente. Sem critérios claros e metas apresentadas passo a passo, o estádio voltará a ser apenas uma ideia recorrente, minando a confiança da torcida que foi ensinada a sonhar alto.
SRN.
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Esta publicação foi produzida pelo Blog FlaNação a partir de informações públicas, apuração de veículos esportivos e revisão editorial. O conteúdo foi reorganizado, contextualizado e recebeu análise própria para uma leitura clara da Nação rubro-negra.


