O Flamengo realizou uma palestra no Ninho do Urubu para apresentar aos jogadores as novas regras de arbitragem que a Conmebol adotará a partir das oitavas de final da Libertadores. Todo o elenco participou da atividade, que incluiu explicações, tradução das normas e espaço para esclarecimento de dúvidas.
Novas regras de arbitragem já valem na Libertadores
As alterações foram aprovadas em fevereiro pela International Football Association Board (IFAB), entidade responsável pela elaboração das regras do futebol há mais de 140 anos. A Conmebol decidiu colocar as medidas em prática no decorrer da Libertadores, o que exige adaptação rápida dos atletas e da comissão técnica do Flamengo.
Entre os objetivos está reduzir a cera e aumentar o tempo de bola rolando. Na Copa do Mundo de 2022, as partidas tiveram duração média de 100 minutos considerando os acréscimos, mas cerca de 42 minutos foram perdidos em bolas paradas, quase um tempo completo de jogo.
Na Libertadores, o VAR também terá atuação ampliada para corrigir escanteio marcado de forma claramente incorreta e segundo cartão amarelo aplicado por engano. No Brasileirão, a revisão de escanteios ficou para 2027.
Regras também entram no debate do Brasileirão
A CBF apresentou aos clubes das Séries A e B uma proposta para adotar regras semelhantes no futebol brasileiro. Entre as medidas discutidas estão a contagem de cinco segundos para a cobrança do tiro de meta, o limite de dez segundos para o jogador deixar o campo em uma substituição e a permanência de um minuto fora após atendimento médico no gramado.
Também está previsto que apenas o capitão seja o interlocutor da equipe com o árbitro. No caso de atendimento ao goleiro, um jogador de linha poderá ter de deixar o campo por um minuto após a retomada da partida. O jogador que atrasar uma substituição poderá fazer com que o substituto aguarde um minuto para entrar, deixando o time temporariamente com um atleta a menos.
Adaptação pode influenciar comportamento
Um levantamento citado na discussão sobre as novas regras apontou média de 28,6 faltas por jogo no Brasileirão até a pausa para a Copa do Mundo, com 36,6 segundos de demora em cada cobrança. A intenção das medidas é combater esse tipo de paralisação e tornar as partidas mais dinâmicas.
A Conmebol e a Uefa não adotaram a chamada “Lei Vini Jr.”. No Brasil, o tema aparece separado no pacote discutido pela CBF e pelos clubes.
Para o Flamengo, a palestra serviu como preparação imediata para a Libertadores e como alerta sobre a necessidade de ajustar condutas em um cenário de fiscalização mais rigorosa.
A iniciativa do Flamengo faz sentido porque mudanças de arbitragem costumam produzir efeitos antes mesmo de serem plenamente assimiladas pelos jogadores.
Uma substituição lenta, uma reclamação coletiva ou um atendimento prolongado podem deixar de ser apenas detalhes e passar a custar tempo, cartões ou até superioridade numérica durante a partida.
O ponto mais importante é que a preparação não fique restrita a uma palestra. A comissão técnica precisa transformar as regras em comportamentos treinados, especialmente em jogos eliminatórios, nos quais qualquer minuto perdido pode alterar o roteiro.
Também é necessário separar o que já está confirmado na Libertadores do que ainda aparece como proposta ou teste para o Brasileirão.
A busca por mais bola rolando é legítima, mas a aplicação precisa ser uniforme. Se cada árbitro interpretar os limites de maneira diferente, a promessa de dinamismo pode virar nova fonte de reclamações.
O Flamengo deve se adaptar sem abrir mão de cobrar coerência, usando a informação antecipada para reduzir riscos e não apenas para reagir às decisões durante os jogos.
SRN.
Esta publicação foi produzida pelo Blog FlaNação a partir de informações públicas, apuração de veículos esportivos e revisão editorial. O conteúdo foi reorganizado, contextualizado e recebeu análise própria para uma leitura clara da Nação rubro-negra.


