A situação física de De la Cruz voltou ao centro do debate no Flamengo e expôs um desgaste interno entre a comissão técnica de Leonardo Jardim e o departamento médico do clube. Após exames descartarem lesão, o setor médico liberou o meia, enquanto o treinador optou por controlar a carga de treinos antes de utilizá-lo.
Desgaste entre Jardim e o departamento médico
A divergência sobre a escalação do uruguaio se soma a outros ruídos entre os setores, em um cenário marcado por cobranças públicas de Jardim sobre a recuperação de jogadores. O caso recente de Léo Ortiz, que voltou a sentir dores após uma tentativa de reintegração, reforçou os ruídos internos no Flamengo.
De la Cruz disputou os três jogos do Uruguai na Copa do Mundo e, desde que voltou ao clube, participou de apenas 14 minutos. O meia entrou na parte final do empate por 1 a 1 com o Internacional, no Beira-Rio, pela última rodada do Campeonato Brasileiro.
Situação física de De la Cruz
Na reapresentação ao Ninho do Urubu, De la Cruz realizou um teste no aparelho isocinético, que mede força, potência, resistência muscular e equilíbrio. Durante a avaliação, relatou um leve desconforto no músculo anterior da coxa, mas os exames não apontaram lesão.
Liberado pelo departamento médico, o uruguaio participou das atividades. Ele iniciou a preparação separado do restante do elenco, que estava em Portugal para a intertemporada, e depois foi integrado normalmente quando o grupo retornou.
Segundo apuração do ge, o departamento médico entendia que De la Cruz estava em condições de jogo e não vetou sua utilização. A decisão de não relacioná-lo para as partidas foi da comissão técnica, que avaliou que o jogador ainda não estava no nível físico considerado adequado.
Após a partida contra o São Paulo, Jardim explicou que De la Cruz voltou da seleção em condições de trabalho, mas teve um problema muscular depois de atividades de força e passou alguns dias treinando de forma limitada.
“Agora, estamos administrando as cargas para que no futuro ele esteja com a gente. Ele precisa treinar para voltar também”, disse Jardim.
O treinador também citou a presença de Arrascaeta e de dois volantes como opções para o meio-campo, indicando que não queria sobrecarregar jogadores da mesma função no banco. Contra a Chapecoense, o gramado sintético influenciou a decisão de deixá-lo fora da lista de relacionados. Dias depois, diante do São Paulo, Jardim novamente optou por não levar o jogador.
Fora contra o Vitória e no radar do Peñarol
De la Cruz está fora do jogo contra o Vitória por suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Além da situação física, o uruguaio está no radar do Peñarol e já manifestou o desejo de deixar o Flamengo.
A diretoria rubro-negra avalia uma proposta do clube uruguaio enquanto tenta reduzir os ruídos internos envolvendo o jogador, a comissão técnica e o departamento médico.
Acompanhe todas as atualizações do Departamento Médico do Flamengo.
Ao mesmo tempo, a cautela de Leonardo Jardim não é irracional: De la Cruz disputou todos os jogos do Uruguai na Copa e teve pouco tempo de preparação no clube.O problema está menos em poupar um atleta e mais na falta de uma comunicação interna convincente. Quando o treinador fala em confusões de entendimento e o departamento médico libera o jogador, abre-se espaço para a percepção de desalinhamento. O episódio de Léo Ortiz torna essa leitura ainda mais sensível.
Para o Flamengo, a prioridade deveria ser proteger o jogador e estabelecer um protocolo claro de retorno, sem transformar cada ausência em disputa de versões. Como De la Cruz também deseja sair e está no radar do Peñarol, qualquer ruído físico pode influenciar o mercado e aumentar a pressão sobre a diretoria. O clube precisa separar avaliação médica, escolha técnica e negociação.
SRN.
Esta publicação foi produzida pelo Blog FlaNação a partir de informações públicas, apuração de veículos esportivos e revisão editorial. O conteúdo foi reorganizado, contextualizado e recebeu análise própria para uma leitura clara da Nação rubro-negra.


